Uso de telas na cama está associado a noites mais curtas, revela pesquisa
Estudo com mais de 45 mil jovens adultos mostra que o tempo dedicado ao celular e a outros dispositivos após deitar pode estar relacionado a dificuldades para dormir.
Um hábito que merece atenção
Assistir a vídeos, navegar pelas redes sociais ou responder mensagens antes de dormir tornou-se parte da rotina de muitas pessoas.
Mas quanto esse comportamento pode interferir no descanso?
Uma pesquisa publicada em 31 de março de 2025, na revista científica Frontiers in Psychiatry, investigou a relação entre o uso de telas na cama e a qualidade do sono.
O estudo reuniu informações de 45.202 estudantes universitários da Noruega, com idades entre 18 e 28 anos.
O que os pesquisadores descobriram?
Os resultados mostraram que cada hora adicional de uso de telas após deitar estava associada a:
59% mais chances de apresentar sintomas de insônia.
24 minutos a menos de sono, em média.
Os pesquisadores também compararam diferentes atividades, incluindo redes sociais, filmes, jogos e navegação na internet.
Uma descoberta interessante foi que o uso de redes sociais não apresentou uma associação mais prejudicial ao sono do que outras atividades realizadas em telas.
O fator mais relevante pareceu ser o tempo total dedicado aos dispositivos.
Por que as telas podem interferir no descanso?
Existem diferentes explicações possíveis.
A exposição à luz durante a noite pode influenciar o relógio biológico. Notificações também podem interromper momentos de descanso.
Entretanto, os pesquisadores destacaram outro mecanismo importante: o deslocamento do tempo de sono.
Isso acontece quando uma pessoa permanece acordada utilizando dispositivos durante um período que poderia ser dedicado ao descanso.
Assim, mesmo sem perceber, alguns minutos de entretenimento podem se transformar em uma hora a menos de sono.
O que a pesquisa ainda não comprova?
O estudo foi observacional e utilizou informações relatadas pelos próprios participantes.
Portanto, não é possível afirmar que o uso de telas tenha causado os sintomas de insônia.
Também existe a possibilidade de pessoas com dificuldades para dormir utilizarem mais os dispositivos justamente porque já estão acordadas.
Os resultados representam uma associação estatística, não uma relação definitiva de causa e efeito.
Pequenas mudanças na rotina
Para quem deseja melhorar os hábitos noturnos, algumas atitudes podem ajudar:
Reduzir o uso de telas entre 30 e 60 minutos antes de dormir.
Desativar notificações durante a noite.
Estabelecer horários regulares para descansar.
Evitar prolongar o tempo acordado na cama utilizando dispositivos.
Essas medidas podem fazer parte de uma rotina de autocuidado, embora seus resultados variem entre as pessoas.
Autocuidado também é valorizar o descanso
A pesquisa reforça a importância de observar como a tecnologia participa dos hábitos cotidianos.
Celulares e dispositivos digitais oferecem inúmeras facilidades, mas estabelecer limites pode ajudar a reservar mais tempo para o sono.
Cuidar de si também significa reconhecer a hora de se desconectar.
Fonte científica
Frontiers in Psychiatry — 31 de março de 2025
How and when screens are used: comparing different screen activities and sleep in Norwegian university students.
Autores: Gunnhild Johnsen Hjetland e colaboradores.
Divulgação científica — Frontiers




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