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Vacina contra herpes-zóster pode reduzir risco de demência em 20%, aponta estudo

20 de out.
2 min de leitura

Pesquisa da Universidade Stanford, publicada na revista Nature, revela uma possível conexão entre a prevenção de infecções virais e a proteção da saúde cerebral.

Uma descoberta que amplia os horizontes da medicina

Uma vacina desenvolvida para prevenir o herpes-zóster, doença popularmente conhecida como cobreiro, pode oferecer um benefício adicional: reduzir o risco de desenvolver demência.

A descoberta foi apresentada por pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, em um estudo publicado em abril de 2025 na revista científica Nature.

Os resultados reforçam uma hipótese investigada pela medicina: determinadas infecções virais podem influenciar processos relacionados ao envelhecimento cerebral.

O que os cientistas descobriram?

A pesquisa analisou registros de saúde de mais de 280 mil adultos no País de Gales, no Reino Unido.

Durante aproximadamente sete anos de acompanhamento, os pesquisadores observaram que a vacinação contra herpes-zóster esteve associada a uma redução relativa de 20% na probabilidade de receber um diagnóstico de demência.

A redução absoluta estimada foi de 3,5 pontos percentuais.

O estudo aproveitou uma característica especial de um programa público de vacinação: a elegibilidade dependia da data de nascimento dos participantes.

Isso permitiu comparar pessoas de idades muito próximas, mas com diferentes possibilidades de receber a vacina, reduzindo algumas limitações comuns aos estudos observacionais.

Qual é a relação entre vírus e saúde cerebral?

O herpes-zóster ocorre quando o vírus varicela-zóster, responsável pela catapora, é reativado no organismo.

Esse vírus permanece no sistema nervoso após a infecção inicial.

Uma das hipóteses investigadas é que sua reativação possa contribuir para processos inflamatórios associados ao comprometimento cognitivo.

Outra possibilidade envolve efeitos da própria resposta imunológica provocada pela vacinação.

Os mecanismos ainda não foram esclarecidos.

A vacina previne a demência?

Ainda não é possível afirmar que a vacinação previna todos os casos de demência.

Embora o estudo apresente evidências relevantes, os resultados se referem a uma vacina específica, de vírus vivo atenuado, utilizada naquele programa de vacinação.

Novas pesquisas são necessárias para compreender os mecanismos envolvidos e avaliar os efeitos de outras formulações.

A indicação da vacina deve continuar seguindo as recomendações médicas e os critérios de vacinação aplicáveis.

Um novo caminho para a prevenção

A pesquisa abre perspectivas para investigar como a prevenção de infecções pode influenciar a saúde do cérebro ao longo da vida.

Além de seu papel estabelecido na proteção contra herpes-zóster, a vacinação poderá ajudar os cientistas a compreender melhor fatores relacionados ao desenvolvimento da demência.

Uma descoberta que aproxima duas áreas fundamentais da medicina: a imunização e a saúde cerebral.

Fontes e referências

1. Nature — 2 de abril de 2025

A natural experiment on the effect of herpes zoster vaccination on dementia.

2. Stanford Medicine — 2 de abril de 2025

For those living with dementia, new study suggests shingles vaccine could slow the disease.

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