Cientistas criam pequenos robôs com músculos vivos capazes de saltar e nadar
Tecnologia desenvolvida na Suíça combina tecidos musculares cultivados em laboratório e estruturas artificiais flexíveis.
Pesquisadores da ETH Zurich, na Suíça, apresentaram um avanço na robótica bio-híbrida: pequenos dispositivos que utilizam músculos vivos para produzir movimentos.
A inovação combina engenharia, biologia e simulações computacionais para criar estruturas capazes de saltar, caminhar, nadar e agarrar objetos.
O estudo foi divulgado em 22 de outubro de 2026 e publicado na revista científica Nature Communications.
Como funcionam os robôs com músculos vivos?
Diferentemente dos robôs convencionais, que geralmente dependem de motores elétricos, esses dispositivos utilizam tecido muscular cultivado a partir de células de camundongos.
Os músculos são integrados a estruturas artificiais produzidas com hidrogel, um material flexível e rico em água.
Quando estimuladas eletricamente, as fibras musculares se contraem, movimentando a estrutura.
A combinação permite transformar pequenas contrações biológicas em movimentos mecânicos visíveis.
Um avanço de até 11 vezes
A principal inovação está na maneira como os pesquisadores projetaram os componentes.
Em vez de desenvolver separadamente o músculo e sua estrutura de sustentação, a equipe utilizou simulações computacionais para otimizar os dois elementos em conjunto.
O resultado foi um sistema capaz de apresentar uma amplitude de movimento até 11 vezes maior que a de dispositivos anteriores com quantidades comparáveis de tecido muscular.
Os atuadores desenvolvidos medem aproximadamente 1,5 centímetro.
Robôs que saltam, caminham e nadam
Durante os experimentos, os pesquisadores demonstraram diferentes tipos de movimento.
Um dos dispositivos conseguiu saltar aproximadamente cinco milímetros, o equivalente a cerca de um terço de seu comprimento.
Outra versão alcançou uma velocidade de deslocamento de 6,2 milímetros por segundo.
Os cientistas também demonstraram movimentos de natação e de apreensão de objetos.
Esses resultados mostram como a integração entre tecidos vivos e materiais artificiais pode ampliar as possibilidades da robótica.
Quais são as possíveis aplicações?
A robótica bio-híbrida é uma área de pesquisa que busca combinar componentes biológicos e estruturas desenvolvidas pela engenharia.
No futuro, tecnologias semelhantes poderão contribuir para o desenvolvimento de máquinas flexíveis, dispositivos de pesquisa biomédica e sistemas capazes de realizar movimentos delicados.
Entretanto, os protótipos apresentados ainda são experimentais e não representam produtos prontos para utilização comercial.
Desafios como durabilidade, alimentação dos tecidos e controle dos movimentos precisam ser superados.
Uma nova geração de máquinas
A pesquisa demonstra que a evolução da robótica não depende exclusivamente de motores, circuitos e componentes eletrônicos.
A integração entre sistemas biológicos e materiais artificiais abre novas possibilidades para a criação de dispositivos que reproduzem algumas características dos organismos vivos.
Embora ainda esteja em seus estágios iniciais, essa abordagem representa um caminho promissor para o futuro da tecnologia.
Fonte: ETH Zurich — 22 de outubro de 2026.
Publicação científica: Nature Communications.
Nota editorial: Os dispositivos foram demonstrados em condições de laboratório. As aplicações práticas futuras ainda dependem de novas pesquisas e validações.




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