Cientistas conectam átomos de elementos diferentes por entrelaçamento quântico
Experimento da Universidade de Oxford demonstra como partículas separadas podem compartilhar estados quânticos, abrindo novas possibilidades para as redes quânticas.
Uma conexão que desafia a física clássica
Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, demonstraram uma nova forma de conectar partículas utilizando um dos fenômenos mais fascinantes da física: o entrelaçamento quântico.
O estudo, publicado em outubro de 2026 na revista científica Physical Review Letters, conseguiu estabelecer estados quânticos compartilhados entre íons de dois elementos químicos diferentes: estrôncio e cálcio.
A descoberta representa um avanço experimental no desenvolvimento de redes capazes de conectar dispositivos quânticos.
O que é o entrelaçamento quântico?
Na física quântica, duas ou mais partículas podem apresentar propriedades correlacionadas de maneira que o conjunto não possa ser descrito apenas pelas características individuais de cada uma.
Esse fenômeno é conhecido como entrelaçamento quântico.
Mesmo quando as partículas estão separadas, suas medições podem apresentar correlações que não são explicadas pela física clássica.
Entretanto, isso não permite transmitir informações instantaneamente nem ultrapassar a velocidade da luz.
Como foi realizado o experimento?
Os pesquisadores utilizaram dois sistemas de íons aprisionados, conectados por uma rede óptica.
Primeiramente, estabeleceram entrelaçamento entre íons de estrôncio localizados em pontos diferentes da rede.
Depois, transferiram e ampliaram essas correlações para íons de cálcio, utilizados como memórias quânticas.
O sistema permitiu criar estados entrelaçados envolvendo dois, três e até quatro qubits.
Um dos resultados mais importantes foi a preservação do entrelaçamento nas memórias de cálcio por aproximadamente 10 segundos — mais de cem vezes o tempo necessário para criar o estado quântico compartilhado.
Por que essa descoberta é importante?
Um dos grandes desafios da tecnologia quântica é conectar diferentes processadores sem perder as delicadas propriedades dos estados quânticos.
O experimento demonstra uma arquitetura em que partículas de elementos diferentes desempenham funções complementares.
Enquanto o estrôncio participa da conexão óptica entre os dispositivos, o cálcio pode armazenar informações quânticas.
Essa combinação poderá contribuir para o desenvolvimento de:
Redes de comunicação quântica.
Computadores quânticos distribuídos.
Memórias quânticas conectadas.
Sistemas mais complexos de processamento de informações quânticas.
O que ainda precisa ser desenvolvido?
Apesar dos resultados, a tecnologia permanece em fase experimental.
A criação de redes quânticas de grande escala exige melhorias na confiabilidade das conexões, na preservação dos estados quânticos e na integração entre diferentes dispositivos.
O experimento não significa que já exista uma internet quântica pronta para utilização comercial.
Um novo passo para a física quântica
A pesquisa mostra que o entrelaçamento pode ser criado, ampliado e armazenado em sistemas que combinam diferentes espécies atômicas.
Mais do que conectar partículas, os cientistas estão desenvolvendo maneiras de fazer diferentes dispositivos quânticos trabalharem em conjunto.
O futuro das redes quânticas poderá depender não apenas de processadores mais poderosos, mas da capacidade de conectá-los.
Fontes e referências
Physical Review Letters — 13 de outubro de 2026
Multipartite Mixed-Species Entanglement over a Quantum Network.
Universidade de Oxford — 15 de outubro de 2026
Quantum network entangles several atoms of different elements.




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